sábado, 14 de abril de 2012

Acordo, logo penso

Às vezes, tenho medo que, por pensar tanto e por tanta irreverência, eu seja injusta. Me perdoe, meu Deus, por tanta falta de controle. Mas simplesmente não consigo evitar. O mesmo dom dado de presente é a maldição com que convivo todos os dias, e que, diga-se de passagem, nunca desejei ter.
Sim, dom e maldição são opostos perigosos. Mas exprimem exatamente o que sinto. De modo que a grande admiração é seguida de um enorme terror e revolta.
Medo? Talvez... mas, principalmente, tenho a impressão de que nunca sou entendida. Afinal, todo interior de alguém é ridículo, caótico, idiota. Provavelmente, a sinceridade, de fato, eu raramente atingi. Por isso, faço por mim. E em última instância faço por outrem.
Quem canta, seus males espanta. Quem fala, também.
Acredito que há oportunidades-momentos para falar. Mas um falar libertador, que nos liberta de falta de entendimento, falta de comunicação, falta de audição, falta de compreensão.
Falta de coragem.
Então me culpo pela ousadia ausente. Pelo admitir atrasado.
Enfim, por não reconhecer o óbvio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário