Hoje fez quatro dias que a Bina morreu. A morte é tão estranha...
Ela se foi. Mas isso não significa que ela não está mais em nós. Não só lembramos dela todas as vezes que tomamos um cafezinho ou vemos uma decoração de natal, mas suas coisas ainda estão no seu devido lugar. Acabei de abrir a "caverna" dela - um armário no escritório, onde ela guardava todas as bugigangas - e vi tudo igualzinho, do mesmo jeito de sempre. E a lembrança dela gritando e nos puxando pela camiseta toda vez que espiávamos a "caverna" estava ainda tão presente no meu pensamento, que, bem lá no fundo eu esperei que ela ainda pudesse entrar no escritório, naquele momento, agitando os braços e gritando e sorrindo, porque a gente viu toda aquela bagunça acumulada que ela juntava e escondia da vovó há tantos anos.
Agora, estou sentada no sofá, bem no lugar que ela sentava todos os dias depois do almoço para tomar café, assistir "Vale a Pena Ver de Novo", esticar as pernas e dar aquela cochilada gostosa.
Mas, o difícil é não pensar nas coisas que ela não terminou de fazer: não terminou de assistir a novela, não pôde usar o colarzinho de panda que eu dei de Portugal pra ela, não ouviu a Bebel balbuciar os primeiros sons, não esperou a festa que a gente ia dar pra quando ela voltasse do hospital. E com direito às suas últimas exigências: pizza do Di e bolo de chocolate com morango da vovó.
Desses 50 anos, dos quais 21 eu participei, eu agradeço por ter me amado primeiro, por ter me ajudado a terminar de pintar meus desenhos, por me dar o melhor cafezinho, por ainda me fazer acreditar na humanidade, tamanha era sua bondade e beleza.
Até pra ir embora a Bina foi comportadinha. Foi no silêncio da noite que era pra deixar todo mundo achando que tinha acordado de um sonho. Um sonho bom que durou 50 anos completos.
E só o que fica é a saudade de ter acordado...
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
Um leão na minha sopa
Descobri que tenho necessidade em ser necessária.
Esse é o meu vício.
Prazer, já que os meus não se comparam aos deles.
Numa escala de zero a dez eu perco em todas as disputas.
É confortável sentir que eu sou uma grande perdedora, mas não é só na escala que eu perco.
Eu sou uma grande, senão a maior, perdedora da inconstância.
Uma mosca na sopa vira um estardalhaço.
[Todo vício é lesivo.
Agora, me vejo sem calor, com preguiça e trancada pelo lado de dentro].
Queria eu ter que matar um leão todos os dias.
Ao invés de me apavorar com uma mosca na minha sopa.
Esse é o meu vício.
Eles me procuram; eu procuro.
Tenho tesão por ouvir o problema dos outros, porque me dá prazer.Prazer, já que os meus não se comparam aos deles.
Numa escala de zero a dez eu perco em todas as disputas.
É confortável sentir que eu sou uma grande perdedora, mas não é só na escala que eu perco.
Eu sou uma grande, senão a maior, perdedora da inconstância.
Uma mosca na sopa vira um estardalhaço.
[Todo vício é lesivo.
Agora, me vejo sem calor, com preguiça e trancada pelo lado de dentro].
Queria eu ter que matar um leão todos os dias.
Ao invés de me apavorar com uma mosca na minha sopa.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Miragem
Imagina. Pensa que pensa. Mas nada vê.
Não enxerga um palmo, um passo, um suspiro.
A vista é turva de ressaca; de cegueira plena; de realidade vazia.
E confia ingenuamente num desejo fulgor.
Irreal.
Mórbido.
Mentiroso.
Muito belo.
Enganoso.
A verdade passa despercebida.
E a vida continua.
Sem saber que a hora já tinha sido.
Que a felicidade é ideia antiga.
Que a esperança...
vira rotina.
Não enxerga um palmo, um passo, um suspiro.
A vista é turva de ressaca; de cegueira plena; de realidade vazia.
E confia ingenuamente num desejo fulgor.
Irreal.
Mórbido.
Mentiroso.
Muito belo.
Enganoso.
A verdade passa despercebida.
E a vida continua.
Sem saber que a hora já tinha sido.
Que a felicidade é ideia antiga.
Que a esperança...
vira rotina.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
O Regresso, segundo Szymborska
Wislawa Szymborska, escritora polonesa e ganhadora do Nobel de literatura de 1996, respondeu, um dia, ao ser questionada sobre suas tantas viagens, que não gostava de viajar.
O que ela adorava, de fato, era o regresso.
Mudar de lugar, é começar de novo.
Regressar, é continuar novamente. Diferente, somado, melhorado ou piorado.
Mas, a possibilidade de voltar igual é quase sempre inexistente.
Por ora, é hora de continuar novamente. Sempre sabendo que a possibilidade do começar de novo, exista.
Basta querer. Basta desejar. Basta pedir.
Um, já vai ficar. Das outras duas, só posso falar por uma delas.
E esta, descobriu, ainda que ingênua e prematuramente,
que, talvez, seu lugar seja sempre o regresso para casa.
O que ela adorava, de fato, era o regresso.
Mudar de lugar, é começar de novo.
Regressar, é continuar novamente. Diferente, somado, melhorado ou piorado.
Mas, a possibilidade de voltar igual é quase sempre inexistente.
Por ora, é hora de continuar novamente. Sempre sabendo que a possibilidade do começar de novo, exista.
Basta querer. Basta desejar. Basta pedir.
Um, já vai ficar. Das outras duas, só posso falar por uma delas.
E esta, descobriu, ainda que ingênua e prematuramente,
que, talvez, seu lugar seja sempre o regresso para casa.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Caleidoscópio
Me falaram pra eu ir viver minha vida. Me pergunto o que eu tenho feito todos esses anos, dias e horas...
Definitivamente, viver a vida é como olhar por um caleidoscópio: cada um vê uma imagem.
O que eu vivo, não é o que fulano vive. Do mesmo jeito que me pedem pra viver mais, eu peço pra que vivam mais também.
Se eu não vivo para outrem, imagino o que seria vida pra esse alguém. Se fosse viver a vida do outro, seria infeliz.
Eu vejo vida na minha preguiça. Mas não vejo preguiça na minha vida.
Pelo contrário. Se me dessem o poder do tempo, pausaria a progressão aritmética do meu crescimento.
Eu reluto. Mas, eu vivo.
Eu quero querer viver.
Viver a vida como eu a enxergo ser vivida.
E nada mais além.
Definitivamente, viver a vida é como olhar por um caleidoscópio: cada um vê uma imagem.
O que eu vivo, não é o que fulano vive. Do mesmo jeito que me pedem pra viver mais, eu peço pra que vivam mais também.
Se eu não vivo para outrem, imagino o que seria vida pra esse alguém. Se fosse viver a vida do outro, seria infeliz.
Eu vejo vida na minha preguiça. Mas não vejo preguiça na minha vida.
Pelo contrário. Se me dessem o poder do tempo, pausaria a progressão aritmética do meu crescimento.
Eu reluto. Mas, eu vivo.
Eu quero querer viver.
Viver a vida como eu a enxergo ser vivida.
E nada mais além.
sábado, 14 de abril de 2012
Acordo, logo penso
Às vezes, tenho medo que, por pensar tanto e por tanta irreverência, eu seja injusta. Me perdoe, meu Deus, por tanta falta de controle. Mas simplesmente não consigo evitar. O mesmo dom dado de presente é a maldição com que convivo todos os dias, e que, diga-se de passagem, nunca desejei ter.
Sim, dom e maldição são opostos perigosos. Mas exprimem exatamente o que sinto. De modo que a grande admiração é seguida de um enorme terror e revolta.
Medo? Talvez... mas, principalmente, tenho a impressão de que nunca sou entendida. Afinal, todo interior de alguém é ridículo, caótico, idiota. Provavelmente, a sinceridade, de fato, eu raramente atingi. Por isso, faço por mim. E em última instância faço por outrem.
Quem canta, seus males espanta. Quem fala, também.
Acredito que há oportunidades-momentos para falar. Mas um falar libertador, que nos liberta de falta de entendimento, falta de comunicação, falta de audição, falta de compreensão.
Falta de coragem.
Então me culpo pela ousadia ausente. Pelo admitir atrasado.
Enfim, por não reconhecer o óbvio.
Sim, dom e maldição são opostos perigosos. Mas exprimem exatamente o que sinto. De modo que a grande admiração é seguida de um enorme terror e revolta.
Medo? Talvez... mas, principalmente, tenho a impressão de que nunca sou entendida. Afinal, todo interior de alguém é ridículo, caótico, idiota. Provavelmente, a sinceridade, de fato, eu raramente atingi. Por isso, faço por mim. E em última instância faço por outrem.
Quem canta, seus males espanta. Quem fala, também.
Acredito que há oportunidades-momentos para falar. Mas um falar libertador, que nos liberta de falta de entendimento, falta de comunicação, falta de audição, falta de compreensão.
Falta de coragem.
Então me culpo pela ousadia ausente. Pelo admitir atrasado.
Enfim, por não reconhecer o óbvio.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Misogenia
Maldição é enxergar tudo quanto vê;
singularizar a vida - passado, presente, futuro.
Esconde em si uma caixa de pandora, a qual, no mínimo esforço para abrir, libera seus monstros-feras-visões.
Então, guarda a acidez de suas lágrimas.
Para um mundo que, apesar de tudo, ainda não está preparado para aceitar a redenção de uma jovem mulher.
singularizar a vida - passado, presente, futuro.
Esconde em si uma caixa de pandora, a qual, no mínimo esforço para abrir, libera seus monstros-feras-visões.
Então, guarda a acidez de suas lágrimas.
Para um mundo que, apesar de tudo, ainda não está preparado para aceitar a redenção de uma jovem mulher.
domingo, 1 de abril de 2012
Entre quatro paredes
Liberdade.
Transgredir, muitos diriam.
Mas, por ser uma ideia comum, já não vira uma regra?
Liberdade deve ser usada no secreto, no íntimo do pensamento, entre algumas paredes. A necessidade de torná-la popular é uma busca de aceitação escondida.
A liberdade pública cria adeptos e vira moda; padroniza; escraviza.
"A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo" - Livro do Desassossego (Fernando Pessoa - Bernardo Soares).
Transgredir, muitos diriam.
Mas, por ser uma ideia comum, já não vira uma regra?
Liberdade deve ser usada no secreto, no íntimo do pensamento, entre algumas paredes. A necessidade de torná-la popular é uma busca de aceitação escondida.
A liberdade pública cria adeptos e vira moda; padroniza; escraviza.
Cada um sabe a liberdade que tem e usufrui.
Cada um deve conhecer sua liberdade."A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo" - Livro do Desassossego (Fernando Pessoa - Bernardo Soares).
sábado, 17 de março de 2012
Ode ao esquerdo
Eu sou de; eu nasci na; eu fui criada na; eu respiro; eu falo; eu ando; eu me visto.
Eu cansei de.
A edificação alheia é ainda uma prioridade, mas não está mais no topo da minha lista. Antes, me pergunto quando será possível edificar o meu eu egoísta, egocêntrico, pseudo-coletivo. Porque eu sou humano; húmus, preso à terra, oposto ao divino. Sou sujeira, pó; mas também recebi um sopro de vida.
Porém...
se conter é adequado; pulmões selados; grito abafado.
Vou repetir o que tento dizer todos os dias: meu grito não é alto. É quase inofensivo. É feito de papel, caneta, suor e uma pitada de inspiração.
Mas ele me edifica; me consola; me permite a introspecção no momento em que reflete a minha intimidade, mas se coletiviza no momento em que acredito existir outros também abafados em seus próprios gritos.
Busco sabedoria para soltar todo esse barulho; berrar sem matar.
Mas, também declaro publicamente de que a repercussão disto começa a não me intimidar mais.
Eu cansei de.
A edificação alheia é ainda uma prioridade, mas não está mais no topo da minha lista. Antes, me pergunto quando será possível edificar o meu eu egoísta, egocêntrico, pseudo-coletivo. Porque eu sou humano; húmus, preso à terra, oposto ao divino. Sou sujeira, pó; mas também recebi um sopro de vida.
Porém...
se conter é adequado; pulmões selados; grito abafado.
Vou repetir o que tento dizer todos os dias: meu grito não é alto. É quase inofensivo. É feito de papel, caneta, suor e uma pitada de inspiração.
Mas ele me edifica; me consola; me permite a introspecção no momento em que reflete a minha intimidade, mas se coletiviza no momento em que acredito existir outros também abafados em seus próprios gritos.
Busco sabedoria para soltar todo esse barulho; berrar sem matar.
Mas, também declaro publicamente de que a repercussão disto começa a não me intimidar mais.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Morena de tantos Brasis
Sentada no chão, bem no cantinho, observo em silêncio. Silêncio e admiração. E vejo a brasilidade diante dos meus olhos castanhos. Marrons da cor da terra, do barro, da cerâmica, da argila, da raiz.
Vestida com um manto branco.
A pele morena, digna de uma caucasiana, contrasta com a cor do vestido. Os cabelos lisos de africana, movimentam-se conforme ela gira ao redor do próprio eixo. Os olhos amendoados das índias se fecham e sentem os pés tocarem a terra úmida. Os dedos penetram na areia e estabelecem um equilíbrio com o corpo, com as raças, com as etnias, com as cores.
Ao final, ela despenca no chão. Os cabelos ficam sujos de barro e ela sorri. Um sorriso claro de luz. E fala a língua do seu povo, numa voz que faz tremer os horizontes. Ela ama a própria terra, a própria tribo. Com sotaque de Minas Gerais.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Enzo Garcia
E se você pudesse escolher o que enxergar? Como se pudesse selecionar a parte que mais gosta em uma imagem qualquer. As coisas seriam melhores ou apenas ilusão? Será que, talvez, saber demais seja uma realidade tão real que, por isso, seja insuportável? Será que, viver ilusoneamente* afaste de você a realidade e te transforme num sonho? Então, talvez, dizer a alguém "você é um sonho", seja a mesma coisa que dizer que ela é boa demais para ser verdade, que ela simplesmente não existe. Ao invés disso, talvez devêssemos dizer "você é uma realidade".
* O erro é proposital.
* O erro é proposital.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
A origem do medo
Pior do que perder alguém, é sentir que irá perder. É justamente esse "sentir que irá"que se resume em um tempo irresumível. Permanece como uma bigorna no peito, que pressiona o par de pulmões contra o coração, que dói ao respirar um ar que queima mais que veneno. E a sensação de impotência causa angústia. Uma angústia aguda, egocêntrica, ofuscada. E Alá, Zeus, Odin, Olimpo, céu e inferno são consultados em busca de respostas, em busca de reforços. Mas não obtém-se palavra. Uma única palavra. Obtém-se silêncio, ausência de som, vida muda; que sufoca pacificamente. E o consolo atrasa e o conforto foge. O colorido se torna escuro; da cor do preto, da cor de uma tonelada. E o cérebro congela, e o tempo pára. E o ar acaba. E a esperança se esconde. E a incerteza domina. E o medo surge.
Obs.: para ler ouvindo "Quem Sabe"- Los Hermanos.
Obs.: para ler ouvindo "Quem Sabe"- Los Hermanos.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Convite ao silêncio
Frio. Contido. Controlado. Calculado.
Vivo o paradoxo de tentar enxergar através do frenesi chamado São Paulo. E essa vida nos faz falar. Falar sem dizer. Falar por falar.
Há momentos em que não existe a necessidade de falar. Mas de calar-se, e ouvir a voz dos outros. De ouvir uma piada, um relato, um desabafo. De rir junto.
Deus nos deu dois ouvidos e uma boca. E a insistência em praticarmos dez vezes mais a língua do que os tímpanos, nos torna perdedores. Perdedores de singularidades, de boas memórias, de hesitações.
Penso que a fala deveria ser usada apenas em ocasiões especiais. Fora isso, deveríamos viver em silêncio. Exercitando nossa audição. Em um processo de ouvir sorrisos, olhares, gargalhadas, suspiros. Na esperança de ouvir e captar sentimentos.
Vivo o paradoxo de tentar enxergar através do frenesi chamado São Paulo. E essa vida nos faz falar. Falar sem dizer. Falar por falar.
Há momentos em que não existe a necessidade de falar. Mas de calar-se, e ouvir a voz dos outros. De ouvir uma piada, um relato, um desabafo. De rir junto.
Deus nos deu dois ouvidos e uma boca. E a insistência em praticarmos dez vezes mais a língua do que os tímpanos, nos torna perdedores. Perdedores de singularidades, de boas memórias, de hesitações.
Penso que a fala deveria ser usada apenas em ocasiões especiais. Fora isso, deveríamos viver em silêncio. Exercitando nossa audição. Em um processo de ouvir sorrisos, olhares, gargalhadas, suspiros. Na esperança de ouvir e captar sentimentos.
domingo, 1 de maio de 2011
Proposta ordenativa
Proponho o pensamento simples, o tempo, a reflexão, para este mundo literal que nem sua própria obviedade reconhece.
Exijo tempo deste século para se praticar o nada, para simplesmente consumir o tempo, e quebrar com a mecanização automática e viciante que anula a genialidade, o brilhantismo.
Defendo a dramatização da vida e a exaltação das emoções.
Foco nos erros do dia.
Reclamo sal para essa época sem gosto.
Espero observação para essa vida cheia de superfícies.
Aposto na conciliação dos espíritos apolíneo e dionisíaco, para que juntos, nos promovam um equilíbrio abundante em extremos.
Peço amor para esses tempos de guerra.
Logro a vida pelo o que ela é e pelo tanto que me inspira.
Exijo tempo deste século para se praticar o nada, para simplesmente consumir o tempo, e quebrar com a mecanização automática e viciante que anula a genialidade, o brilhantismo.
Defendo a dramatização da vida e a exaltação das emoções.
Foco nos erros do dia.
Reclamo sal para essa época sem gosto.
Espero observação para essa vida cheia de superfícies.
Aposto na conciliação dos espíritos apolíneo e dionisíaco, para que juntos, nos promovam um equilíbrio abundante em extremos.
Peço amor para esses tempos de guerra.
Logro a vida pelo o que ela é e pelo tanto que me inspira.
domingo, 13 de março de 2011
Ei, você!
Você mesmo! Você, dos muitos que já me perguntaram, porque eu parei de escrever e eu não soube o que responder. Não completamente. Talvez, porque, um dia, eu pensei que estudar arte me ajudaria. A consequência de seguir esse caminho, é um relacionamento de constante amor e ódio com ela (ou talvez, com o estudo dela).
Sou como uma lagarta, presa ao casulo, mas que não consegue se transformar em uma borboleta. Não de fato, nem plenamente. Todas as vezes que sinto a metamorfose, o abrir das asas, sou sufocada por aquela casquinha que me envolve em aconchego, conforto. A luta é grande, mas a casquinha vai se transformando em estrutura óssea, e pesa. Pesa, o peso da angústia, do fracasso, da incapacidade, da improdutividade. Eu me humilho, me envergonho, diante do talento que eu desconheço. Mas penso que, talvez, ter seguido este caminho, seja um exercício de romper o exoesqueleto diariamente. Talvez seja um pacto diabólico sem solução, mas que exija superação. Enquanto isso, sigo admirando. Admirando, à distância, o dom das palavras que me escapa por entre os dedos.
Mas, o fato é: a culpa não está no casulo. Digo, no estudo. A culpa é minha. De pesar razão e espontaneidade na mesma balança e querer que ambas desfrutem de um relacionamento sadio. De dar atenção ao que vejo, e não ao que enxergo. De esquecer que mente e coração são duas faces de uma mesma moeda, que vivem sobre o mesmo corpo, mas nunca se encontram de frente. De que arte, é folhear um livro antes de lê-lo, é adivinhar antes de abrir os olhos.
Por fim, peço desculpas pelo descarrego. Mas, com isso, espero que entendam, como é difícil se achar magro, tendo uma balança em casa.
Daqui a pouco, a névoa se dissipa e eu crio coragem para pular do abismo. Sem fechar os olhos. Só para poder fitar o chão que eu não vou atravessar.
Meus sinceros agradecimentos.
Sou como uma lagarta, presa ao casulo, mas que não consegue se transformar em uma borboleta. Não de fato, nem plenamente. Todas as vezes que sinto a metamorfose, o abrir das asas, sou sufocada por aquela casquinha que me envolve em aconchego, conforto. A luta é grande, mas a casquinha vai se transformando em estrutura óssea, e pesa. Pesa, o peso da angústia, do fracasso, da incapacidade, da improdutividade. Eu me humilho, me envergonho, diante do talento que eu desconheço. Mas penso que, talvez, ter seguido este caminho, seja um exercício de romper o exoesqueleto diariamente. Talvez seja um pacto diabólico sem solução, mas que exija superação. Enquanto isso, sigo admirando. Admirando, à distância, o dom das palavras que me escapa por entre os dedos.
Mas, o fato é: a culpa não está no casulo. Digo, no estudo. A culpa é minha. De pesar razão e espontaneidade na mesma balança e querer que ambas desfrutem de um relacionamento sadio. De dar atenção ao que vejo, e não ao que enxergo. De esquecer que mente e coração são duas faces de uma mesma moeda, que vivem sobre o mesmo corpo, mas nunca se encontram de frente. De que arte, é folhear um livro antes de lê-lo, é adivinhar antes de abrir os olhos.
Por fim, peço desculpas pelo descarrego. Mas, com isso, espero que entendam, como é difícil se achar magro, tendo uma balança em casa.
Daqui a pouco, a névoa se dissipa e eu crio coragem para pular do abismo. Sem fechar os olhos. Só para poder fitar o chão que eu não vou atravessar.
Meus sinceros agradecimentos.
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