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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Outros quinhentos

Mais uma página virada. Agora, é definitivo.
Agora; definitivo. 
Agora não implica depois; definitivo é muito tempo para pouco futuro conhecido.

Então... por enquanto é decidido.
Amanhã serão outros quinhentos.

domingo, 11 de março de 2012

Declaração de Amor

Data: dez de abril de dois mil e doze
Assunto: declaração de amor
De: papai. bonitao@paitrocinio.com.br
Para: filhota_orgulhodopapai@paitrocinada.com.br


Filhinha do meu coração,
hoje acordei às 3h da manhã e escrevi essa linda declaração de amor pra vc:

EU, PAPAI, PORTADOR DO PASSAPORTE BRASILEIRO E DA CONTA BANCÁRIA PARCIALMENTE CHEIA DO PONTO DE VISTA DA MINHA FILHA, DECLARO-ME RESPONSÁVEL FINANCEIRAMENTE DA MESMA, SIMTIA, PORTADORA DO PASSAPORTE BRASILEIRO E DE UMA TREMENDA CARA DE PAU DE ME PEDIR DINHEIRO, DURANTE SUA ESTADIA FORA DO PAÍS POR MOTIVOS DE ESTUDO, COMPRAS E VIAGENS.

________________________
           (assinatura)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Trupicão



tropeçar: v.t., int. 1. Dar com a ponta do pé em algum obstáculo; tropicar. (fig.) 2. Encontrar dificuldade na execução de alguma tarefa. 3. Cair em erro; resvalar moralmente.

Todos nós tropeçamos. Alguns mais, alguns menos. 
Uns logo se levantam. Outros, se deixam vencer pela gravidade. Ficam no chão por mais tempo e têm dificuldade em se levantar. 
Há também aquele que escolhe ficar caído, esperando outros passarem pra puxar consigo. E há pessoas que esperam ser levantadas. Na esperança de que um bom samaritano passe ali por perto, ou mesmo um anjo os tire de certo. Esperam um sol no horizonte ou uma chuva para limpar os machucados. Mas só esperam ali sentados. 
Mas há aqueles que caem e se levantam sozinhos. E quando se levantam, encontram força e coragem para continuar e enfrentar a vida.


Mas há por acaso como evitar tropeçar?

Sinto lhe dizer que não.

Apenas, olhe por onde anda.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Era uma manhã


Era uma manhã normal como todas as outras vividas nos últimos anos da minha maravilhosa e incrível vida. Exceto  que por um milagre divino das galáxias distantes, meus pés encontravam a areia suja e úmida da praia, que esfoliava os cascos dos meus calcanhares. 
“Ah, o verão...”.
Esse era o tipo de pensamento que se passava pela minha cabeça naquele momento.
Curtir o verão na praia é uma coisa. É agradável. Porque quando você  não aguenta mais aquele suor que gruda areia, bituca de cigarro e outros corpos em  seu corpo, é só dar um pulo na água gelada do mar.  Mas, sentir o calor numa cidade grande, meu irmão...não é para os fracos.
Porém, nada melhor do que a época do natal em que você nem lembra mais quando ganhou presente, mas pelo menos viaja. E viaja só porque depois que a AZUL chegou, todas as companhias aéreas decidiram distribuir ótimas promoções.
Mas, voltando, eu estava caminhando pela praia. Me exercitando mesmo. Porque quando você está de férias e desempregado, acabam-se as justificativas para o sedentarismo. E mamãe te levanta às 8 horas da madrugada para queimar as gordurinhas.
“Ah,  a mamãe...”.
Esse eu te garanto que não é o primeiro pensamento que passa pela minha cabeça quando ela me acorda.
Mas, tudo certo.  A gente senta na areia e olha pro horizonte. E curte a paisagem. Sente a brisa.
“Eu te amo, filha”.
“Ainda bem, né...”.
Olho de soslaio e ela me olha com aquela cara. Dou risada.
“Também te amo, mãe”.
E, de repente, levantar cedo nas férias não parece mais tão ruim. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cream Cheese

Eu amo cream cheese.
Ultimamente tenho visto um pote na geladeira. Mas eu nem chego perto.
Não toco nele. Prefiro ter a sensação de que toda vez que eu abrir a geladeira, ele estará lá. Não vê-lo, deixaria minha alma inquieta. Prefiro ter na memória a última sensação de prazer que tive, quando comi um pedaço de pão integral inundado de cream cheese.
Então, cream cheese  peço que não me chame quando eu abrir a geladeira, ou que pelo menos não faça contato visual.
Não quero estragar os últimos momentos que passei com você.
E apenas saber que está por perto, basta para mim. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cuco

Da sala de estar da casa da vovó, eu escuto. Eu escuto o pêndulo do relógio.
De um lado para o outro.
Tic-tac; tic-tac; tic-tac...
Um relógio antigo, marcando o tempo de mais de três gerações. E me pergunto: Quantos atrasos ele já deve ter marcado?